Enchente na avenida Aricanduva, zona leste de SP
Marcelo K. Nishida/07.01.2011/Estadão Conteúdo

“Toda vez que chove é uma agonia”. É assim que o comerciante Eduardo Gonçalves Vieira, 57, responde quando é questionado sobre as enchentes no local onde tem um pequeno negócio, na avenida Pires do Rio, em Itaquera, zona leste de São Paulo.

A loja de Eduardo fica próxima do córrego Rio Verde, que, nos últimos dois anos, transbordou ao menos 15 vezes, segundo dados do CGE-SP (Centro de Gerenciamento de Emergências de São Paulo). Só no ano passado foram três transbordamentos.

No período entre novembro de 2016 e abril de 2017, considerado o “período chuvoso” para o CGE, foram 55 registros de transbordamentos nos córregos da cidade (saiba onde ocorreram no mapa abaixo).

Eduardo mostra suporte de comporta contra enchentes

Eduardo mostra suporte de comporta contra enchentes
Márcio Neves/R7

Portanto, são ao menos nove transbordamentos de córregos por mês, em média, na capital paulista.

A zona leste é a região que mais sofre com o problema — no período, foram 34 transbordamentos.

“Em novembro, a prefeitura esteve aqui e fez uma limpeza no córrego, mas o trabalho é mal feito. Eles tiraram parte do lixo do rio, mas o mato continua alto e existem pedras e entulho dentro da galeria, que acabam segurando o lixo que desce da parte alta do bairro, se prendem ali e fazem o córrego transbordar”, conta o comerciante.

O problema se repete por outras regiões da cidade. A zona norte é a segunda região entre as que têm problemas frequentes. No mesmo período, foram nove transbordamentos. Na zona sul, houve quatro transbordamentos, e, na zona oeste, um córrego transbordou no intervalo, de acordo com o levantamento do CGE.

A zona sudeste, que abrange a região onde corre o riacho do Ipiranga, é outra área que também acumula um histórico de enchentes. Foram sete transbordamentos. 

“Todo ano é a mesma coisa, há 25 anos”, conta o empresário Carlos Roberto Lopes, 51, que mora numa esquina da avenida Professor Abraão de Morais com a avenida Bosque da Saúde. Em dezembro, Carlos viu o carro ser coberto de água em frente a sua casa.

Asfalto cedeu na avenida Abraão de Morais
Márcio Neves/R7

Neste trecho, moradores afirmam que um afunilamento, feito na época da canalização do córrego, é o problema. Os habitantes do local relatam não faltar reclamações registradas na prefeitura regional da região.

“Na última chuva, em dezembro, o asfalto da avenida cedeu e até hoje ninguém veio resolver”, conta José Carlos, 39.

Independentemente  da necessidade de uma melhor atuação do poder público para resolver em definitivo o problema das enchentes, em todas as regiões há também um consenso: a população precisa se conscientizar mais em não jogar lixo nas ruas e nos corrégos.

“Muita gente mora aqui, vive o problema, mas dia sim, dia não, joga uma sacolinha de lixo ali no córrego”, pondera Rosangela Aparecida, 54, que também enfrenta o problema rotineiro do córrego Rio Verde em Itaquera.  

Carlos Roberto Lopes, 51, construiu uma comporta na garagem de sua casa
Márcio Neves/R7
Prefeitura responde

A Secretaria de Prefeituras Regionais da Prefeitura de São Paulo informa que os agentes das prefeituras regionais intensificaram a limpeza de córregos e piscinões em toda a cidade.

Segundo a pasta, de janeiro a novembro de 2017, foram executados 1.425.243 metros lineares de limpeza manual e 78.315 metros lineares de limpeza mecanizada, em rios e córregos da cidade. “Um investimento de R$ 150 milhões, que também contempla conservação de galerias, piscinão e microdrenagem”, afirma a prefeitura.

Sobre o córrego Rio Verde, a secretaria afirmou que retirou todo o lixo e entulho do local em dezembro, mas a região é um ponto constante de descarte irregular e que uma nova limpeza será realizada na próxima semana.

Já sobre o problema no Riacho Ipiranga, a pasta diz que está em andamento a construção de um novo piscinão com previsão de término no próximo ano. Já sobre o deslizamento na avenida Abraão de Morais, a Prefeitura Regional da Vila Mariana diz monitorar o local e que está adotando as medidas necessárias para fazer o reparo.

Fonte: R7