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Cinco dos onze equipamentos presentes pelo caminho feito pela vereadora e o motorista estavam desativadas; imagens poderiam ajudar na investigação

Câmeras de segurança poderiam informar quantas pessoas estavam no carro se imagens fossem de alta definição

Foto: shutterstock

Durante o percurso feito pelo motorista Anderson Gomes e pela vereadora Marielle Franco (PSOL) o veículo onde a parlamentar estava passou por 11 câmeras de segurança da Prefeitura do Rio de Janeiro. Porém, quase metade dos aparelhos estavam desligados no momento do crime, apenas seis estavam funcionando. As informações foram confirmadas pela prefeitura, e os equipamentos continuam da mesma forma.

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A primeira câmera, localizada na Rua do Senado, e a última pela qual Marielle e Anderson passaram, na Rua João Paulo I, não estão registradas no sistema do Centro de Operações da Prefeitura, apenas no da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro (CET-RJ). As informações são do G1.

Já outra, no Largo do Estácio, apesar de constar como com problemas, funcionou e mostrou, mesmo com a baixa resolução, que a perseguição foi feita por dois carros. A gravação ainda permitiu que fossem identificadas a marca e a cor dos veículos.

No entanto, essas foram as únicas informações úteis para as investigações, já que a finalidade das câmeras é apenas para monitoramento de tráfego e crises, como temporais, não para segurança.

Número de suspeitos poderia ter sido revelado

De acordo com a reportagem do G1, uma pessoa ligada à investigação afirmou que as imagens dos equipamentos desligados não poderiam identificar os autores do crime. Porém, se os aparelhos funcionassem com alta resolução, informações relevantes, como quantas pessoas haviam no carro ou se algum outro veículo se juntou aos outros durante o trajeto.

Segundo a Casa Civil, das 700 câmeras na cidade, 200 delas foram doadas pelo Governo Federal por conta da Olimpíada, para monitorar as delegações olímpicas durante os jogos, mas quando o evento acabou, a manutenção não foi renovada.

As câmeras doadas deveriam ser incorporadas ao Centro de Operações, mas desde 2016 isso não ocorreu.

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Execução

Marielle Franco deixava o evento “Jovens negras movendo as estruturas”, na noite de quarta-feira (14), na Lapa, e se dirigia para sua casa na Tijuca quando dois homens em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e o motorista dispararam.

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Ela e Anderson Gomes morreram na hora. O crime aconteceu na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, próximo à estação de metrô. Todos os indícios apontam para a possibilidade de um homicídio premeditado, uma execução.

A vereadora fazia parte da Comissão da Câmara que fiscalizava a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Dias antes de ser assassinada, ela denunciou assassinatos que teriam sido praticados por policiais do 41º Batalhão da PM do Rio.

Referência para o movimento negro e feminista, ela deixou uma filha de 19 anos. O corpo da vereadora foi velado na quinta-feira (15), na Câmara dos Vereadores.

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Fonte: Portal Último Segundo