Maria Emília Gadelha Serra, da Aboz, fala sobre ozonioterapia
Aboz

Considerado um dos oxidantes mais eficazes, o gás ozônio tem sido um fator cada vez mais decisivo para a diminuição, e muitas vezes a cura, de doenças inflamatórias, infecciosas, problemas circulatórios, articulares e feridas decorrentes de diabetes, entre outras enfermidades.

O ozônio nestes casos é utilizado dentro da ozonioterapia, um tratamento baseado na mistura dos gases oxigênio e ozônio, com objetivo terapêutico, capaz de reduzir custos de tratamentos e evitar amputações ou cirurgias complicadas.

O método pode ser aplicado de diversas formas (em geral por injeção, sonda ou na pele), a partir de geradores específicos, com materiais compatíveis, que, com base no oxigênio medicinal, produzem quantidades precisas de ozônio dentro de uma faixa de segurança, sempre sob a orientação e com supervisão de um médico especialista, que irá indicar a dosagem correta, de acordo com as necessidades do paciente. Doses excessivas podem ser prejudiciais e doses baixas podem ser ineficazes.

São pelo menos 250 doenças que podem ser tratadas com a ozonioterapia. Para o câncer, conforme afirma a presidente da Aboz (Associação Brasileira de Ozonioterapia), Maria Emília Gadelha Serra, o tratamento tem a capacidade de funcionar como um complemento de tratamentos convencionais, como quimioterapia e radioterapia.

— Um dos efeitos da ozonioterapia é estimular a liberação de oxigênio nos tecidos. Os pacientes oncológicos geralmente têm baixa oxigenação dos tecidos. O ozônio então ajuda a aumentar a quantidade de oxigênio, regula o sistema imunológico e controla a resposta inflamatória. Ele diminui a ação da toxicidade tanto da radioterapia quanto da quimioterapia. É um tratamento para ser feito junto e complementar o tratamento oncológico convencional.

Foi justamente esse papel de importante complemento que fez a ozonioterapia ajudar o advogado Carlos Braga, professor de Direito Tributário da Faculdade de Direito São Francisco, da Universidade de São Paulo, a se curar de um câncer no esôfago que fez os médicos lhe darem uma expectativa de vida de um ano.

Passados cinco anos desde o início da doença, ele tem consciência de que, a partir do momento em que começou a usar a ozonioterapia, finalmente a quimioterapia e a radioterapia, que o enfraqueceram a ponto de ter contraído uma infecção grave, trouxeram resultados benéficos. Hoje ele afirma que vive uma vida normal e se sente até com mais saúde do que antes.

— A ozonioterapia melhora o sistema imunológico, diminui os efeitos colaterais do tratamento de quimioterapia e radioterapia, aumenta o vigor físico e enfraquece as células cancerosas. Em relação ao câncer, a literatura mundial diz que o tratamento com ozônio é um coadjuvante que ajuda a vencer a doença.

Ciente do alto risco de seu filho recém-nascido, Giovanni, ficar com paralisia cerebral, o médico Mozart Cabral diz que não quis perder tempo, logo após o parto, quando a criança teve dificuldade de ultrapassar o canal e teve uma intensa anoxia perinatal – ausência ou diminuição de oxigênio no cérebro durante o nascimento.

Ao ver seu filho sem reação, com convulsões repetidas, sem chorar e ir para a UTI com um aspecto arroxeado, ele percebeu que todas as condições apontavam para um estado de grave comprometimento cerebral. Como a situação não regredia, em duas semanas ele procurou a ozonioterapia, fora do hospital, tendo sido iniciada a aplicação por insuflação retal (o ozônio é absorvido pela mucosa intestinal e cai na circulação).

— Eu já tinha visto uma palestra sobre ozonioterapia em casos de paralisia cerebral. Quando percebi que meu filho se enquadrava nesta situação, não esperei que a doença se instalasse. Em um recém-nascido, o cérebro tem uma neuroplasticidade muito grande.

Ele dá detalhes de como optou pelo tratamento.

— Ele estava na fase dos chamados primeiro mil dias (os 9 meses da gestação e os dois primeiros anos), em que há capacidade máxima de regeneração. Claro que o ozônio atuando ali tem uma força grande. Hoje, com 11 meses, meu filho está com desenvolvimento neuromotor e cognitivo compatível ou até acima da média de sua idade.

Relatos observados pelo R7, com laudos e imagens científicas, apontaram para benefícios da ozonioterapia em casos em que facilitou a cicatrização de um dos dedos do pé de uma senhora diabética, evitando a amputação do pé; curou dores crônicas de uma moça que sofreu acidente de moto e possibilitou que um menino, nascido com uma síndrome genética que o impedia de falar e andar, começasse a andar.

Já o professor de tênis Fábio Araújo de Sales, 50 anos, quase chegou ao fundo do poço quando percebeu que teria de ficar longe de sua profissão e dos alunos. Após tentar de tudo, fazendo fisioterapia, vários tratamentos e mais de 10 ressonâncias, os médicos não encontravam solução para a artrose de último grau nos dois joelhos.

Sales não conseguia dobrar as pernas de tanta dor. Próximo do tênis desde os 14 anos, quando começou no esporte como catador de bolinhas, o prognóstico era de que ele teria de parar de trabalhar. Então, por indicação de uma companheira de fisioterapia, experimentou a ozonioterapia, pagando uma consulta particular para ver se o seu problema poderia enfim ser resolvido.

— Já na primeira sessão a dor passou, dobrei o joelho, comecei a subir e descer escada. Faço até hoje aplicações de dois em dois meses. Meus amigos e alunos até dizem que estou correndo mais. Não poderia ficar sem trabalhar.

Redução de custos e regulamentação

O objetivo da direção da Aboz, agora, é finalmente conseguir a regulamentação do tratamento como um procedimento médico, obtendo a aprovação formal do Conselho Federal de Medicina e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a exemplo do que já acontece com a Odontologia desde 2015, quando a ozonioterapia passou a ser considerada uma terapia oficial dentro desta área.

Mesmo não sendo uma prática proibida, segundo a presidente da Aboz, Maria Emília, a falta de regulamentação é prejudicial, pois dá margem à ação de leigos sem formação na área de saúde e à utilização de equipamentos sem o devido controle de qualidade. Os pacientes que utilizam o tratamento geralmente o fazem após assinar um termo de consentimento, conforme ela ressalta.

Nesta terça-feira (17) ocorrerá uma audiência pública no Senado Federal, em Brasília, para que seja aprovado o Projeto de Lei para uso da ozonioterapia.

De autoria do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), a proposta, entre outras exigências, coloca que a ozonioterapia só poderá ser aplicada em pacientes que optarem pelo tratamento e que tiverem indicação médica para tanto.

Maria Emília explica ainda que, há 11 anos, a prática é considerada experimental no Brasil e que, com isso, não há nem reembolso pelos planos de saúde e nem incorporação ao Sistema Único de Saúde.

Por outro lado, a ozonioterapia é reconhecida na Alemanha, Suíça, Itália, Portugal, Espanha, Cuba, China, Grécia, Turquia e Polônia e em 23 Estados americanos.

Segundo estudo da economista Celina Ramalho, doutora em Economia de Saúde e professora e pesquisadora da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (SP), a eficácia do uso da ozonioterapia, nas suas diversas aplicações, indica a redução dos custos em saúde entre 40% e 80%.

A economista acrescenta, em seu trabalho, que o tratamento aumenta a sobrevida dos pacientes, com qualidade de vida e sensação de bem-estar, diminuindo a necessidade de uso de medicamentos e de ocorrência de cirurgias complexas.

 

Fonte: R7