Cerca de 200 famílias ocuparam casas que não têm rede de energia e água. Justiça determinou a reintegração de posse do conjunto habitacional em GO.


 

Famílias cadastradas no programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, invadiram há 15 dias casas de três conjuntos habitacionais em construção, em Mineiros, no sudoeste de Goiás. Os imóveis devem ser entregues neste ano, mas ainda falta a instalação de rede de energia e de água.

A aposentada Vandair Barbosa Ramos, de 60 anos, conta que o grupo ocupou os imóveis porque eles estão “cansados de esperar”. Segundo a idosa, ela se cadastrou em 2009 para receber uma moradia. A obra iniciou três anos depois com previsão de entrega neste ano. “Eu fui obrigada a invadir porque não tinha para onde ir”, afirma a idosa que sobrevive com um salário mínimo.

O vaqueiro Denis Venâncio de Souza também ocupou uma das casas. Sem condições de pagar aluguel, ele afirma que se mudou com a família porque ficou com medo de perder o benefício devido à invasão. “Todo mundo estava entrando. Eu pensei, eu sou cadastrado eu não posso ficar de fora”, disse o vaqueiro.

Com a ocupação, muitas casas foram depredadas. Uma pia do banheiro, por exemplo, foi parar no meio da rua.

Sem água nos imóveis, as famílias abastecem as casas com água de um tanque, que é armazenada em baldes. Já para tomar banho, a maioria das pessoas usa os banheiros construídos pela empreiteira para os funcionários durante a obra.

A Justiça determinou que a população deixe as casas. A reintegração de posse deve ser cumprida nesta semana.

De acordo com o secretário de Assistência Social, Carlos Roberto Oliveira, parte das 200 famílias invasoras não está cadastrada no programa habitacional. Além disso, a obra não está pronta, por isso, não foi entregue.

“O problema que a comunidade tem que entender é que a Caixa nem recebeu ainda [os imóveis]. A empresa não terminou a obra, por isso essa questão. Mas os nomes foram enviados desde 2013. Desde 2013 que estes nomes estão sob análise da Caixa. Assim que a Caixa estiver pronta, ela vai chamar para apresentar esta lista”, afirma o secretário.

A assessoria de comunicação da Caixa Econômica Federal informou que as obras do programa Minha Casa, Minha Vida em Mineiros estão em fase final e que a entrega do empreendimento depende da implantação da rede de energia elétrica, que é de responsabilidade da Companhia Energética de Goiás (Celg). A Celg não se pronunciou sobre a situação até a publicação desta reportagem.

Novo Planalto
Quem não tem onde morar em Novo Planalto, no norte goiano, está revoltado com a paralisação das obras de casas do Minha Casa, Minha Vida. A construção parou há 11 meses e, com isso, o mato toma conta do local.

Sem funcionários na obra, a comunidade denuncia que materiais de construção estão estragando ou sendo roubados. “Acaba tudo na chuva aí, tinha um monte grande de tijolo aí e o pessoal já roubou”, diz o lavrador José Joaquim de Lima.

O prefeito de Novo Planalto, David José de Sousa, afirmou que as famílias que serão beneficiadas já foram cadastradas. Além disso, a paralisação da obra ocorreu devido à interrupção de repasse de dinheiro pelo governo federal.

“Nós ligamos em Brasília na empresa que ganhou a licitação para a construção das casas. Entretanto, ele falou para nós que o problema é com o governo federal, que não repassou o dinheiro para os bancos e os bancos não repassam para a empreiteira e eles não têm condições de tocar a obra. Não podemos investir e nem temos dinheiro para investir em obra do governo federal”, diz o administrador.

São Miguel do Araguaia
A situação é semelhante à enfrentada por moradores de São Miguel do Araguaia, também no norte goiano. No entanto, no município as obras estão paradas desde 2012.

“Só promessa em cima de promessa né, e a situação aqui é de total abandono, já pegaram os materiais de construção, o mato tomando conta e a gente só esperando, pagando aluguel, com criança pequena e muito indignada”, reclama a autônoma Tawane Alves dos Santos

A construtora responsável pela obra nas duas cidades é a mesma, a DRS Tijolo. A empreiteira informou que, nos dois municípios, as obras estão paradas por falta de repasse do governo federal e que só vai retomar a construção após pagamento do Ministério das Cidades.

Procurado pela reportagem, o Ministério das Cidades não quis se pronunciar sobre o assunto.

Fonte: (Texto/Fotos) g1.com