O presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Ricardo Yano, fez pesadas críticas, ontem, ao comportamento dos frigoríficos que estariam subtraindo dos produtores na pesagem dos animais. A acusação de Yano ocorreu durante a instalação oficial da Goiás Genética, em sua quarta versão, no auditório Augusto Gontijo, do Parque Agropecuário de Goiânia.

Segundo ele, os criadores investem em tecnologia, em genética e em outros setores, obtêm um animal melhorado, mas sofrem os prejuízos econômicos na hora da pesagem. “Pode estar indo para o ralo um real ou mais por arroba na hora da pesagem dos animais”, apontou Ricardo Yano, recomendando ao pecuarista pesar o gado na fazenda antes de encaminhar para o abate nos frigoríficos.

O presidente da SGPA ressaltou a importância da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) em redirecionar o crédito do Fundo Constitucional da Região Centro-Oeste (FCO) para investimentos em pesquisas tecnológicas. Discorreu sobre o desfrute e a consequente obtenção de mais arroba numa mesma área de pasto e da crescente busca de eficiência dos produtores.

Mas lamentou que “essa alegria se frustre em grande parte na balança dos frigoríficos”, que não premiam o melhoramento genético nem o maior rendimento de carcaça dos animais.

Queixas

O presidente do Sindicarne, José Magno Pato, reconhece que diariamente existem queixas com relação aos preços, exigências e pesagem dos frigoríficos. “É uma briga de mercado, mas a prova cabe a quem acusa”, diz ele. Pato avisa que o sindicato vai analisar a denúncia e punir os frigoríficos, caso seja encontrada alguma irregularidade e que, comprovada a irregularidade, tem autonomia para adotar medidas punitivas.

Pese Bem

Para melhorar a relação de confiança entre pecuarista e produtor, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) criou o programa PeseBem. Balanças são instaladas na linha de abate para fazer aferição do peso dos animais abatidos nos frigoríficos (que aderem a essa parceria em Goiás).

Estas balanças estão disponíveis atualmente em nove frigoríficos: Marfrig (Mineiros e Rio Verde); JBS (Goiânia, Mozarlândia, Anápolis, Senador Canedo); Minerva (Palmeiras de Goiás); Plena (Porangatu) e Mataboi (Santa Fé de Goiás). Outros dois, em Goianira e Hidrolândia, aguardam implantação do serviço.

O presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), Mauricio Velloso, diz que entre 2003, quando o programa, criado em 2002, iniciou o processo de pesagens, até o ano passado, as balanças do sistema pesaram mais de 6,3 milhões de cabeças. Em 2013 foram pesadas 714 mil cabeças.

Segundo Velloso, o sistema é ferramenta segura e fidedigna de aferição da balança do frigorífico. “O produtor tem essa ferramenta, mas o instrumento é subutilizado. Foi uma conquista da classe depois de embates muito duros com os frigoríficos. O produtor prefere reclamar do peso e ainda resiste a pagar uma fração ínfima de seu boi, de R$ 1,48 por cabeça pesada e conferida”, pontua.

Ainda de acordo com Velloso, na criação do programa foram identificados problemas graves na pesagem de algumas plantas, mas que a própria decisão do frigorífico de aceitar o PeseBem, significa que essa planta está disposta a ter sua balança fiscalizada por uma balança independente e que está disposta a respeitar o peso real. (Com redação)

Evento discute melhoramento genético

Por meio de programas de melhoramento genético é possível também obter melhoria da fertilidade do rebanho; aumentar os índices de ganho de peso; diminuir o intervalo entre gerações e produz animais prontos para abate mais jovens. Estes e outros temas foram assunto da abertura da Goiás Genética 2014, ontem, no Parque de Exposições Pedro Ludovico, em Goiânia.

Para Clarismino Júnior, presidente da Associação Goiana de Criadores de Zebu (AGCZ), que organiza o evento, o desafio atual dos produtores é produzir mais, com mais qualidade e ocupando um menor espaço de terra.

“Discutir o melhoramento genético é importantíssimo. A atividade de inseminação artificial teve crescimento de 9,6% nas atividades de pecuária de leite e 3% na de pecuária de corte se comparamos 2012/2013”, afirma o gerente de assuntos técnicos e econômicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Edson Alves Novaes.

Secretário de Agricultura, Pecuária e Irrigação de Goiás (Seagro), Antônio Flávio Camilo de Lima ressaltou a necessidade de evoluir, cada vez mais, em tecnologia e produtividade.

Fonte (Texto/Foto): www.ohoje.com.br